domingo, 25 de maio de 2008

Oito Erros Alimentares Frequentes


Em Portugal há um conjunto de erros alimentares muito particulares em relação à alimentação. Para ter uma vida saudável, comece por evitar estes oito erros e adquira novos hábitos alimentares.

  1. Consumo de sal em excesso

    Em Portugal come-se tudo muito salgado, e esta tendência está associada a doenças como hipertensão, AVC – Acidentes vasculares cerebrais (tromboses, embolias cerebrais) nos quais somos o campeão da Europa. Segundo a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), cada pessoa deve consumir, por dia, no máximo 5 gramas de sal. Em Portugal consumimos o triplo, à volta de quinze gramas por dia.
  2. Elevado consumo de álcool

    Os portugueses continuam a ser um dos maiores consumidores mundiais de álcool, o que, tem repercussões directas quer na nossa saúde individual e colectiva, quer na sinistralidade rodoviária e no local de trabalho, no baixo rendimento intelectual, na deterioração das relações interpessoais, etc.
  3. Elevado consumo de gorduras

    Principalmente gorduras de má qualidade, gorduras saturadas, hidrogenadas, sobreaquecidas e de múltipla utilização. Do ponto de vista calórico, um grama de gordura tem cerca de nove calorias, contrapondo às quatro calorias conferidas por um grama de hidratos de carbono (pão, arroz, etc.).
  4. Saltar refeições

    Estar muitas horas sem comer cria uma maior sensação de fome, que leva a pessoa a fazer posteriormente refeições demasiado pesadas. Aliás, a carência alimentar (manifestada como hipoglicémia - baixa da glicose no sangue) é responsável pela quebra de rendimento intelectual, tanto na escola como no trabalho.
  5. Comer demais

    Refeições muito volumosas, aliadas a uma vida cada vez mais sedentária, provocam o aumento de peso. O excesso de peso é hoje um grave problema de saúde pública e calcula-se que quase 50% da população nacional tem excesso de peso e, dentro destes, muitos são obesos. Tal como estar muitas horas sem comer (resultando em hipoglicémia), comer demais também é prejudicial. A maior parte dos acidentes de trabalho ocorre imediatamente antes ou imediatamente após a hora do almoço. No primeiro caso por carência alimentar, no segundo por excesso alimentar: se está com fome, come demais, se come demais há uma chamada de sangue ao tubo digestivo, diminuindo a oxigenação cerebral, o que induz um aumento da sonolência e dificuldade de concentração e na execução de tarefas.
  6. Baixo consumo de legumes e produtos hortícolas

    É importante recuperar o papel tradicional da sopa, como forma de comer mais legumes e hortaliças. Muitas pessoas só comem alimentos de origem vegetais nas saladas, quando a melhor forma de o fazer é cozidos na sopa, uma vez que são mais facilmente digeridos e conservam todos os nutrientes na água da sopa.
  7. Baixo consumo de leite e derivados

    A osteoporose ainda é uma doença de elevada prevalência em Portugal. A carência destes alimentos leva a uma grande falta de cálcio na infância, adolescência e início da idade adulta. Só pensamos na osteoporose após a menopausa, o que é um erro, que recomenda o tratamento precoce com uma ingestão continuada e ao longo de toda a vida de alimentos ricos em cálcio.
  8. Elevado consumo de açúcar

    O açúcar também faz parte de uma dieta saudável, mas não se deve exagerar na quantidade. Não só porque ingerimos calorias a mais, mas também porque obrigamos o nosso pâncreas a um desgaste enorme. Quando o pâncreas é demasiado estimulado, gasta a sua capacidade de produzir insulina, o que, associado à obesidade, contribui ao longo dos anos, para o aparecimento da diabetes.

Conselhos para uma boa alimentação

  • A ingestão regular de leite e queijo garante ao organismo as quantidades necessárias de cálcio.
  • O ferro está presente no fígado das aves e na carne, nos legumes e frutos secos, nas hortaliças, nas ostras, chocolate e nos ovos.
  • A glucose (frutos maduros, secos, mel, açúcar de cana, de beterraba, leite. Cereais, batatas, legumes secos, pão, vegetais) em excesso é transformada em gorduras e colocada em reserva pelo tecido adiposo. Uma alimentação muito rica em glucidos é responsável pela obesidade.
    Uma parte da glucose ingerida é imediatamente assimilada pelos órgãos. Uma outra é armazenada nos músculos e no fígado.
  • Em termos nutritivos a carne crua não apresenta grande interesse, desaconselhando-se mesmo em termos higiénicos. A cozedura elimina micróbios e parasitas tais como a ténia.
  • De todas as miudezas o fígado é a mais importante com uma elevada taxa de ferro, em vitaminas A e D e vitaminas B e C. O fígado deve compor pelo menos uma refeição por semana, sobretudo para as crianças, grávidas, adolescentes e convalescentes.
  • A intolerância ao leite pode dever-se a uma má digestão de matéria gorda, bastando para isso consumir leite desnatado ou magro, ou ainda leite homogeneizado. Por outro lado a dificuldade de ingerir leite pode estar relacionada com alergias individuais.
  • Quem sofre de lactose pode substituir a ingestão de leite pelo consumo de queijo, consumindo-o diariamente.
  • A manteiga consumida em excesso pode atrasar e perturbar a digestão devendo, como tal, evitar-se rações diárias muito elevadas.
  • O pão levedado e não levedado tem o mesmo valor nutritivo.
  • Os vegetais crus são excelentes estimulantes intestinais. Os legumes e quase todos os frutos podem ser consumidos crus. Contudo, se a ingestão mineral e vitamínica é indispensável sob esta forma, não se revela suficiente para cobrir as necessidades do organismo. O excesso de vegetais crus também pode levar a desordens intestinais.

Um pequeno-almoço equilibrado

Quando despertamos, as reservas que constituem a última refeição do dia anterior encontram-se praticamente esgotadas, pela respiração, trabalho digestivo, contracções do coração.


Consequências de um pequeno-almoço insuficiente:


Se o pequeno-almoço for insuficiente, o organismo recorre a reservas o que leva rapidamente a um estado de fraqueza com reflexos na concentração, na qualidade do trabalho, na falta de reflexos. Consequentemente, o estado de fraqueza impõe a necessidade de um almoço substancial, não raro com alguns exageros. A digestão é, então, lenta, prejudicando a eficácia do esforço, instalando-se a sonolência. Se este desequilíbrio alimentar for continuado pode vir a tornar-se lesivo para o sistema digestivo. Deve, por isso, o pequeno-almoço ser uma refeição completa, o almoço uma refeição ligeira e fazer-se duas outras refeições ligeiras ao longo do dia.


A alimentação deficitária tende a concentrar as refeições em dois momentos do dia e ao longo de 8 horas. Enquanto isso o organismo tem que organizar as suas reservas ao longo das 24 horas. A partir do meio da noite até á manhã seguinte o organismo é tributário das suas reservas: basicamente lípidos e glícidos. Ao contar apenas com elas economiza, produzindo basicamente gorduras, de açúcares e água, favorecendo a obesidade e a celulite. Nos períodos de jejum o organismo não recorre apenas às suas reservas, utilizando as suas próprias proteínas, acentuando a fadiga e a falta de energia.


Alguns conselhos para um pequeno-almoço equilibrado:


Como forma de estimular o apetite pode-se iniciar o pequeno-almoço com um copo de sumo de frutas, preferencialmente ácido, tal como laranja, toranja ou ananás. O sumo é rico em vitamina C, sendo conveniente espremer o sumo no exacto momento em que se consome, pois esta vitamina oxida-se ao contacto com o ar.
  • O leite e os produtos lácteos devem marcar presença constante á mesa do pequeno-almoço.
  • Os leites magro e semi-gordo contém a mesma quantidade de cálcio e proteínas que o leite completo, digerindo-se mais facilmente que este último.
  • O leite pode ser substituído ao pequeno-almoço, pelos iogurtes.
  • O pequeno-almoço deve ser tomado á mesa.

sábado, 24 de maio de 2008

A Roda dos Alimentos

A rodas dos alimentos é uma representação gráfica, criada pelos portugueses na década de 70 no âmbito da Campanha de Educação Alimentar “Saber comer é saber viver”, que nos ajuda a melhor escolher e combinar os alimentos que deverão fazer parte da alimentação diária. O seu símbolo, tal como o nome indica, é em forma de círculo que se divide em segmentos de diferentes tamanhos; os chamados grupos de alimentos. Mas, em muitos outros países a roda dá lugar à pirâmide dos alimentos, que na opinião dos especialistas nacionais não representa aquilo que deve ser uma alimentação saudável, ou seja, completa, equilibrada e variada. É que a pirâmide hierarquiza os alimentos, dando assim mais importância a uns que a outros. E isto não está correcto, pois deve-se dar igual importância a todos os alimentos. Foram ainda objectivos desta reestruturação a promoção dos valores culturais e sociais dos portugueses ao promoverem-se produtos tradicionais como o pão, o azeite ou as hortícolas. Além disso, foram considerados objectivos pedagógicos e nutricionais. Com a nova roda introduziu-se o conceito de porção de modo a facilitar opções mais fáceis na escolha das quantidades de alimentos a ingerir. Como é constituída? Antes Existiam 5 grupos de alimentos sem indicação das porções recomendadas por dia.


Os grupos de alimentos eram os seguintes:





  1. Leite e derivados

  2. Carne, peixe e ovos.

  3. Óleos e gorduras
  4. Cereais e leguminosas
  5. Hortaliças, frutos e legumes







Depois

É composta por 7 grupos de alimentos de diferentes dimensões que indicam, precisamente, a proporção de peso com que cada um deles deve estar presente na alimentação diária:


  1. Cereais e derivados


  • Tuberculos 4 a 11 porções


  • Hortaliças e Fruta 3 a 5 porções


  • Lacticínios 2 a 3 porções


  • Carnes, pescado e ovos 1,5 a 4,5 porções


  • Leguminosas 1 a 2 porções


  • Gorduras e óleos 1 a 3 porções





  • Não possuindo um grupo próprio, a água assume a posição central na nova roda dos alimentos. Isto porque, esta representada em todos eles pois faz parte da constituição de quase todos os alimentos. Por ser um bem tão essencial à vida recomenda-se o seu consumo diário na ordem dos 1,5 e 3 litros. De uma forma simples e sucinta, a nova Roda dos Alimentos ensina-nos como manter uma alimentação saudável, ou seja, completa, equilibrada e variada.

    Alimentação e Desporto

    A importância de uma alimentação adequada é um facto conhecido dos desportistas e dos seus preparadores de há alguns anos a esta parte. Nos indivíduos que se dedicam à competição a sua alimentação tem o objectivo de permitir melhorar as suas marcas. Para as pessoas que praticam desporto como passatempo ou como forma de optimizar a sua saúde ou a sua silhueta os objectivos da nutrição são satisfazer as necessidades nutritivas dos indivíduos. O atleta de alta competição pretende manter-se no melhor estado físico possível realizando treinos intensos para aumentar a sua capacidade muscular o que exige um elevado aporte energético ao qual a alimentação deve responder. Outra questão é a dos dias imediatamente antes da competição que são muito importantes bem como a alimentação que se segue ao esforço físico intenso. Hoje não existem dúvidas de que é o glicogénio o grande fornecedor energético do músculo e não as proteínas como foi pensado anos atrás e que também os ácidos gordos podem funcionar como substrato energético. No entanto existem alguns estudos que demonstram a existência de catabolismo proteico aumentado em situação de exercício físico intenso. Durante a prática desportiva e o treino em praticantes de desporto de alta competição ou de lazer pode acontecer gasto extra de energia de considerável importância que pode ultrapassar as 2500 Kcal por hora. Isto exige dietas que podem facilmente ultrapassar as 3500 Kcal por dia durante a fase mais intensa da prática desportiva. As perdas hidro – electrolíticas podem ser bastante significativas. São exemplos o futebol, o ténis ou a maratona. A água que se perde por transpiração pode facilmente induzir um estado de desidratação intensa caso não seja, o organismo, abastecido rápida e adequadamente. O sódio acompanha a água perdida durante a transpiração enquanto o potássio se consome durante a contracção muscular. Graças à necessidade de metabolizar maior quantidade de hidratos de carbono como consequência do aumento de necessidades energéticas, também as necessidades sobretudo de vitaminas do complexo B aumentam. A energia que o músculo necessita durante o exercício físico é fornecida pelo ATP. A principal fonte de ATP para os músculos é a glicose seguida dos ácidos gordos. O músculo obtém a glicose a partir do sangue que se mede por uma taxa que é a glicémia e também através do glicogénio muscular. A energia proveniente da glicose fornecida através do sangue e do glicogénio muscular é insuficiente para o exercício físico de longa duração. O músculo resolve este problema mediante o consumo de ácidos gordos que são provenientes dos triglicerideos (no adulto podem existir 10-12 kg de triglicerideos ou ainda mais). O glicogénio muscular não é disponibilizável para a corrente sanguínea sendo exclusivamente libertado e aproveitado durante a contracção da célula (fibra) muscular. Durante a contracção muscular própria da prática desportiva, aumentam as exigências de oxigénio “in situ”, as quais se não satisfeitas originam a sensação de cansaço por causa da acumulação de ácido láctico gerada durante o trabalho anaeróbio. A alimentação do praticante de desporto deve ser uma dieta saudável e equilibrada que inclua todos os grupos de alimentos. A intensidade e duração do esforço devem ser tidas em conta de forma a adaptar o fornecimento energético diário e a distribuição nutricional. Em situação de prática intensa, por exemplo várias horas, pode ser necessário aumentar a ingestão calórica de 1500 a 2500 Kcal, provenientes dos mais importantes fornecedores energéticos como sejam os hidratos de carbono e as gorduras. A quantidade diária de proteínas deve apenas incrementar-se suavemente embora nos casos extremos de necessidade de aumentar a massa muscular possa atingir um suplemento de 1,5 g/Kg/d de proteínas. Para dietas que rondem as 4000 calorias recomenda-se 120 g de proteínas correspondendo a 12% do Valor Calórico Total. As necessidades de vitaminas e minerais são perfeitamente satisfeitas com uma alimentação equilibrada e adequada pelo que são inúteis, na maior parte das situações os suplementos farmacêuticos destes nutrientes. Produtos ditos “dietéticos” à base de proteínas, incluindo fórmulas de aminoácidos especiais são normalmente nefastos e de muito questionável utilidade no aumento da força e na resistência ao cansaço. É sabido que para um bom rendimento desportivo acresce ao treino adequado uma alimentação ajustada sobretudo nos três dias anteriores à prova. Sabe-se hoje que fazendo variar as gorduras e os hidratos de carbono na alimentação se obtêm alterações ao nível da concentração do glicogénio muscular. Também a resistência física é maior se a concentração de glicogénio muscular for mais elevada. Neste sentido, parece ser consensual preconizar para os dias anteriores à competição uma dieta com aporte calórico normal mas em que os hidratos de carbono fornecem 65 a 70% da energia, obtida essencialmente à custa de produtos amiláceos. Em provas com duração superior a duas horas torna-se crítico a reposição de água e sais que se perdem pela transpiração e se possível com também um hidrato de carbono simples através por exemplo de uma bebida isotónica (290 mOsm/L). Situações mais específicas como por exemplo os ciclistas que apresentam enormes necessidades energéticas e que realizam provas por etapas, procuram obviar essa questão através de reabastecimentos durante o decurso da própria competição. Após o esforço o indivíduo deve repor o equilíbrio hidro -electrolítico e o glicogénio quer hepático quer muscular. Atletas bem treinados conseguem em dois dias conjugando uma alimentação adequada e o reinicio dos treinos obter uma boa recuperação. No meio da alta competição, particularmente no futebol profissional, a alimentação é muito frequentemente um aspecto negligenciado. Esta é uma situação que muitas vezes conduz à disseminação de ideias falsas e suscita comportamentos e práticas alimentares questionáveis e/ou até à utilização de preparações comerciais de interesse relativo. De facto, a nutrição no desporto pode contribuir para uma performance ideal desde que conjugada com muitos outros factores, quiçá mais importantes, mas não pode ser vista como um instrumento mágico, quase uma feitiçaria capaz de exacerbar até ao limite todas as capacidades atléticas. Na realidade, nenhum programa alimentar no desporto é capaz de transformar um atleta de craveira média num campeão olímpico ou num Ronaldinho, mas pode, quando desadequado e mal planeado prejudicar os resultados pretendidos. As normas de uma boa alimentação dos desportistas não devem ser muito diferentes daquelas necessárias a um indivíduo normal e saudável. Devem, no entanto ser estritamente observados os aspectos quantitativos (calorias totais) e qualitativos (distribuição por hidratos de carbono, gorduras e proteínas sem esquecer os aportes minerais, de água e vitaminas) e a repartição da alimentação ao longo do dia, o que deve ser função do programa de treino e competição. O exercício físico de grande intensidade, nomeadamente a prática de futebol profissional faz aumentar significativamente as necessidades energéticas para níveis de actividade pesada ou muito pesada podendo atingir ou até ultrapassar as 5000 calorias diárias. As necessidades calóricas aumentam cerca de 30 a 55% se compararmos estes indivíduos com outros que apresentem actividade sedentária. É importante vigiar os atletas quanto ao seu peso, rendimento e estado de saúde já que as necessidades calóricas e de nutrimentos variam entre indivíduos de acordo com diferenças biológicas e comportamento psico – afectivo podendo variar mais de 20% comparativamente com a média. As necessidades nutricionais não ficam totalmente satisfeitas com o aumento proporcional de hidratos de carbono (HC), gorduras e proteínas comparativamente com o padrão alimentar saudável. Como as necessidades energéticas aumentam, deve ser maior a percentagem de HC (pode ir até 60-65%) e de gorduras (aproximadamente 32%). Atenção que a quantidade de proteínas não deve ser superior a 1,5 g por kg e por dia, sendo o consumo de bebidas alcoólicas completamente contra-indicado. As gorduras acrescidas devem ser repartidas pelas refeições principais e intercalares de forma a tornarem-se mais escassas na refeição anterior à prova ou ao treino, devendo os hidratos de carbono ser bem distribuídos abundando na refeição que precede a competição ou o treino. O intervalo entre a última refeição e a prática deve ser de 2 ½ a 3 horas no caso de reabastecimento ao intervalo, ou de 2 horas quando apenas é possível beber. Este intervalo relativamente curto reduz o risco de hipoglicémia e acidose do esforço mantendo a disponibilidade do glicogénio muscular, aumenta a atenção e o rendimento e reduz a possibilidade de lesões. A culinária é importante para dar prazer ao atleta, tornar fácil a digestão sem produção de gases e um esvaziamento gástrico célere. O estômago não pesa, os alimentos fluem com rapidez para o intestino facilitando a absorção de nutrimentos ou nutrientes durante o esforço, particularmente os hidratos de carbono, os minerais e a água. Perdas de água e minerais estão aumentadas significativamente. A sede não reflecte de forma fidedigna as necessidades e é mascarada pelas bebidas exageradamente açucaradas ou carregadas de minerais. O consumo de líquidos deve ser adequado e calculado em função das perdas de peso durante o esforço. A ingestão é importante antes, durante e após o esforço. A água deve ser bebida na 3ª e 2ª hora antes da competição, 2 a 4 vezes por hora, na quantidade de aproximadamente 150 a 200 ml; na hora imediatamente anterior beber apenas 1 vez podendo ser uma solução hipotónica de minerais e glicose. Proceder de igual modo com as tomas durante e após o exercício. A água não pode ser fresca, devendo encontrar-se a temperaturas entre os 10 e os 12º. O glicogénio muscular consome-se com o exercício, mais rapidamente se não se tomou café ou chá antes do seu inicio. O músculo depois do esforço precisa de glicogénio o que se consegue com uma refeição rica em hidratos de carbono, mais fácil de tolerar pelo atleta cansado, semelhante aquela que se ingeriu antes do jogo, isto na primeira hora após o jogo. Caso não seja possível deve pelo menos ingerir uma boa quantidade de hidratos de carbono de absorção intermédia e rápida (exemplo: pão com compota). O volume da refeição não deve ser muito elevado pois o apetite do atleta não está ainda recuperado na totalidade e é algo que se refaz lentamente. Festejar uma vitória bebendo uns copos estraga tudo, já que a ingestão de álcool agrava a depleção em glicogénio e torna mais difícil a sua reposição a nível muscular reduzindo as capacidades para futuros desafios mais ou menos próximos. A sua utilização regular pode induzir perda de massa muscular. O número de refeições, a sua composição, os horários, etc. devem atender à cultura alimentar, à gastronomia da região e do país de origem do atleta e são aspectos a ter em conta na preparação e “desenho” da alimentação dos atletas sob pena de graves dissabores. São erros muito frequentes na alimentação dos atletas o consumo reduzido de alimentos, nomeadamente um défice calórico ou ao contrário, com a vontade de acumular reservas o consumo alimentar excessivo, provocando, por exemplo, aumento indesejado de peso. O desequilíbrio alimentar é outro erro, sendo muito frequente a ingestão excessiva de proteínas, com o intuito de aumentar a massa muscular. Um dos aspectos poucas vezes tido em conta quando se reflecte sobre a alimentação dos atletas, prende-se com a sua saúde futura que, em certa medida decorre do seu padrão alimentar enquanto atletas de alta competição. Na realidade procura-se maximizar a performance do jogador, mas qual será a factura a pagar por este? Poderá a alimentação de alguma forma contribuir positivamente para a saúde, nomeadamente cardiovascular, destes crack´s sobretudo depois de deixarem de praticar. Um paradigma desta questão prende-se com os tão na voga radicais livres de que todos temos medo, pelo seu elevado potencial de envolvimento na génese e desenvolvimento de cancros e doenças cardiovasculares quando não temos os correspondentes mecanismos e sistemas de defesa dependentes dos tão poderosos e famoso antioxidantes. O exercício físico é provavelmente o maior gerador de radicais livres no corpo humano e o efeito destes sobre o rendimento atlético não é ainda muito claro. Este efeito paradoxal do exercício obriga o corpo humano a dispor de uma quantidade importante de antioxidantes, nomeadamente vitamina C, beta – caroteno, selénio, vitamina E que vem da alimentação e outros de fabrico endógeno. Este é um aspecto fundamental, na medida em que uma alimentação rica em hortaliças, legumes, frutos e outros alimentos ricos nestes antioxidantes bem como a suplementação em casos muito especiais pode influenciar a performance e a saúde do atleta.

    Sedentarismo


    O sedentarismo é um conceito dado pela falta ou grande diminuição da actividade física. Do ponto de vista médico, sedentário é o indivíduo que gasta poucas calorias por semana, com actividades ocupacionais. É um estilo de vida definido com base na ocupação e actividades realizadas fora do trabalho, incluindo o transporte de ir para o emprego, actividades desportivas e outras actividades de lazer, que se caracteriza por uma inactividade física ao longo do dia e nos tempos livres. O sedentarismo tem vários riscos para a saúde: duplica as hipóteses de uma pessoa desenvolver doenças do coração e aumenta o risco de diabetes e pressão alta. Para além disto, é a principal causa da obesidade. As crianças da actualidade estão a tornar-se cada vez mais sedentárias. Devido ao estilo de vida das famílias em que ambos os pais trabalham, as crianças passam a maior parte do tempo sozinhas e, em vez de brincarem e andarem de bicicleta, passam o tempo em frente à televisão. Os pais não têm tempo para cuidar da alimentação dos filhos, deixando-os comer comida rápida, que tem imensas calorias e, visto eles serem sedentários, essas calorias não são gastas, ficando armazenadas no organismo sob a forma de gorduras. Sendo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o sedentarismo é a maior causa de morte, doença e deficiência em todo o mundo civilizado. Cerca de dois milhões de mortes anuais são por inactividade física. É em crianças que se adquirem hábitos alimentares e de actividade física da idade adulta. Sendo assim, a infância é uma idade crucial para o desenvolvimento físico e psicológico, mas também para a criação de hábitos saudáveis, que serão importantes para a idade adulta. A definição de saúde não é algo mundial, variando de acordo com algumas implicações legais, sociais e económicas dos estados de saúde e doença. No entanto existe um definição mais aceite, que é aquela encontrada no prologa da Constituição da Organização Mundial e Saúde: um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. A percepção de saúde varia muito entre as diferentes culturas, assim quanto as crenças sobre o que traz ou retira a saúde. Pouco tempo após o fim da Segunda Guerra Mundial, época em que a Organização Mundial de Saúde foi criada, a preocupação centrava-se em traçar uma definição positiva de saúde, que incluiria factores como alimentação, actividade física, acesso ao sistema de saúde, etc. Esta preocupação devia-se ao facto de pretender criar um bem-estar social, graças à devastação causada pela guerra, assim como de um optimismo em relação à paz mundial. A OMS foi a primeira organização internacional de saúde a considerar-se responsável pela saúde mental, e não apenas pela saúde do corpo. Fazer a caracterização de saúde como um estado completo de bem-estar faz com que a saúde seja algo ideal, inatingível, o que tem suscitado várias criticas contra a definição de saúde adoptada pela OMS, visto que esta definição não pode ser utilizada como meta pelos serviços de saúde. No entanto, a definição fantasiosa de saúde é útil como um horizonte para os serviços de saúde, a definição pouco restritiva dá liberdade necessária para acções em todos os níveis da organização social. Esta visão funcional da saúde é de grande interesse para os profissionais de saúde pública e de atenção primária à saúde, visto poder ser utilizada de forma a melhorar as necessidades de cada indivíduo ou grupo.

    Desporto

    1. Actividade física: benefícios para a saúde

    A actividade física pode ser definida como qualquer movimento do corpo, executado pelos músculos esqueléticos, do qual resulte um aumento do dispêndio de energia. A actividade física (e também a alimentação) é considerada como um comportamento da saúde, ou seja, é uma acção praticada por indivíduos que se percepcionam como saudáveis, com o objectivo de prevenir o surgimento de mal-estar ou doença.



    São vários os benefícios da prática regular de actividade física:



    • Aumento da esperança média de vida;

    • Redução até 40% da mortalidade por doenças cardíacas e até 50% da probabilidade de desenvolver doenças coronárias;

    • Redução da mortalidade por cancro do cólon, entre outros;

    • Prevenção da osteoporose;

    • Prevenção e tratamento da hipertensão e das diabetes;

    • Melhoria do humor, diminuição do stress e redução dos sintomas de depressão e ansiedade;

    • Manutenção do peso ideal, prevenindo a obesidade;

    • Aumento da capacidade de trabalho físico, tornando-o mais fácil e agradável;

    • Aumento das capacidades físicas coordenativas e condicionantes, permitindo uma maior facilidade na realização das actividades diárias.